A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) projeta um efeito tarifário médio de cerca de 8% nas contas de luz em 2026, patamar superior às estimativas de inflação para o período, como o IGP-M (3,1%) e o IPCA (3,9%). A estimava consta na primeira edição do boletim nesta terça-feira, 17 de março.
O principal fator para a projeção de alta tarifária vem do orçamento da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), ainda provisório e em fase de consulta pública nº 44/2025. A proposta apresentada totaliza R$ 52,7 bilhões, montante que é 7% maior que o orçamento de 2025.
Em entrevista à CNN Infra na noite desta segunda-feira, 16 de março, o diretor-geral da Aneel, Sandoval Feitosa, afirmou que, no período entre 2011 e 2026, os encargos setoriais deverão acumular crescimento de cerca de 300%, ritmo superior ao da tarifa média de distribuição, estimado em aproximadamente 185%.
"Apenas o serviço de distribuição, que é responsabilidade de regulação técnica e econômica da Aneel, cresceu 109%. Neste período, o IGP cresceu 150% e o IPCA 129%. Outra importante informação é que os encargos setoriais representaram ano passado cerca de 18% da tarifa de energia, neste ano, a nossa previsão é de 20%”, afirmou.
Impacto da CDE e financeiro
Do valor total previsto para CDE, R$ 47,8 bilhões é referente à previsão da CDE-Uso, montante 15,4% maior que o do ano passado. A CDE-Uso é a parcela da CDE custeada pelos consumidores por meio da tarifa de energia elétrica. A partir deste ano, a CDE-GD.
Para 2026, a estimativa é que a CDE gere impacto tarifário de 4,6%, sendo 1,4% referente ao componente combinado de CDE-Uso e CDE-GD. Segundo a Aneel, nesta categoria, houve uma diminuição dos montantes de energia referente ao Proinfa, com impacto de -0,3% no efeito médio.
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